Abrindo as cortinas para o cenário escolar

Sou formada em Pedagogia com habilitação em Educação Infantil, estarei expondo algumas considerações sobre o teatro na educação infantil, gosto muito de discutir esse tema e acredito que há muitas práticas teatrais equivocadas em nossa educação. O teatro é uma arte capaz de transformar a vida de uma criança, mas muitas vezes ela acaba sendo frustrante. Convido todos os profissionais da área de educação para expor aqui também suas experiências com o teatro na educação. Consideramos a Arte como uma disciplina muito importante do currículo escolar. Tendo ela como conhecimento e não apenas como relaxamento. Diante disso me interessei em estudar as contribuições do teatro para a formação da criança na educação infantil, mostrando o desenvolvimento do teatro-infantil e sua função em sala de aula.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Diferente: silencio da INCLUSÃO- uma cena recorrente.

Como observadora em espaço de ensino aprendizagem durante o processo de formação docente, me recordo de uma cena, na qual estarei aqui transpondo questões de referência do ponto de vista da inclusão / exclusão. Ao chegar com uma colega em uma escola de Educação Infantil para fazer um estágio de observação, fomos surpreendidas com uma má recepção por parte da professora da turma que íamos observar. A mesma estava muito chateada porque a Direção não avisou da nossa chegada naquele dia, então comunicamos a ela que iríamos embora e que voltaríamos outro dia por causa do transtorno. Mas ela nos desculpou e pediu para ficarmos, dizendo que a culpa não era nossa e sim da Direção que não avisou a ela da nossa chegada à escola. Ainda muito chateada com a situação, mandou a gente entrar na sala e da porta perguntou “se era essa a profissão que queríamos mesmo” respondemos apenas que sim, em seguida apontando para as crianças (que estavam todas sentadas em semicírculo) ela disse: “isso aqui é uma bagaceira”. Na hora congelei e muito constrangida disse para ela que ia embora e retornaria outro dia. Ela pediu que eu não fosse, porque queria que eu ficasse com as crianças, pois ela relatou que estava com a garganta doendo e tinha “umas coisas pra fazer”. Não só eu que estava constrangida, as crianças estavam todas assustadas, sem entender por que a professora estava tão chateada. Mesmo com o pedido da professora eu não quis ficar, estava muito constrangida e sem jeito. Então fui embora e não retornei à escola.

Com base nessa “microcena” podemos comprovar que a exclusão não afeta somente as pessoas com deficiência, afeta também a vida das pessoas que são consideradas normais e uma “bagaceira”. São excluídos aqueles que não conseguem se inserir em uma escola, também aqueles que além de serem inseridos não exercitam seus direitos de cidadania de apropriação e construção de conhecimentos. Dessa forma as pessoas ditas “normais” e as pessoas com deficiência fazem parte desse mesmo sistema de representações e significações políticas.

Apesar das escolas proporem uma educação que acolha a todos, atendendo as singularidades, no que se refere a psicológica, social, histórica e entre outros, não é exatamente assim que acontece. Sendo que quando as crianças distanciam-se do trabalho escolar quando não conseguem se concentrar, aprender ou perturbam a ordem da sala-de-aula, elas são chamadas de “bagaceiras” e as suas singularidades são ignoradas, levando essas crianças a uma extrema condição de exclusão, cuja prática pedagógica desqualifica a diferença do sujeito, ignorando assim uma análise diferenciada.

As crianças foram inferiorizadas por terem comportamentos diferentes, já que precisamos educar de acordo com as diferenças e necessidades individuais, sem que condição nenhuma impeça um processo de ensino / aprendizagem de maneira eficaz.

“Bagaceira” seria as crianças, ou o que acontece entre elas? O que acontece entre elas são as barreiras que precisam ser identificadas, examinadas e removidas das práticas pedagógicas, a fim de efetivar ações para a acessibilidade e permanência com sucesso na escola.

( Renata Cabral)

Não é o defeito em si que define os caminhos do sujeito,

mas as conseqüências sociais dele decorrentes.”

(Vygotsky)

3 comentários:

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  3. Oi Renata já adicionei o banner tá, um grande beiju.

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